Filtros solares: eles realmente funcionam?

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Formada pela UNIFESP, com título de especialista em Dermatologia e membro da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) e da AAD (American Academy of Dermatology), a Dra Érica Monteiro escreve regularmente para o Dermatologia.
informações de contato da Dra. Érica Monteiro

O filtro solar é um produto tópico que ajuda a proteger a pele da radiação ultravioleta do sol (UV), isso reduz as queimaduras solares e outros danos à pele, como o envelhecimento precoce e o câncer de pele.

Os melhores filtros solares protegem tanto para UVB (radiação ultravioleta com comprimento de onda entre 290 e 320 nanômetros), que pode causar queimaduras solares e o câncer de pele, e UVA (entre 320 e 400 nanômetros), que causa efeitos danosos à pele a longo prazo, como envelhecimento precoce e também o câncer de pele.

Os filtros solares podem ser divididos em dois grupos: filtros solares orgânicos (popularmente conhecidos como filtros solaresquímicos) e os inorgânicos (conhecidos como filtros solares físicos). Grande parte dos protetores solares contém tanto compostos orgânicos, quanto os inorgânicos (são os chamados filtros solares mistos).

Os filtros orgânicos contém substâncias químicas que absorvem a luz ultravioleta (como o oxibenzeno). Os filtros inorgânicos contém material opaco que reflete a luz (como o dióxido de titânio e/ou óxido de zinco).

Há algumas semanas, foi divulgado na imprensa um comunicado da Pro Teste,  que é uma associação brasileira de defesa do consumidor, sobre a eficácia de protetores solares. A matéria apresentada causou pânico nos pacientes de consultório e também nos leitores do www.dermatologia.com.br
Dos dez produtos avaliados na pesquisa da entidade, apenas dois foram aprovados. Dentre os reprovados estavam protetores solares de marcas consagradas, como  Nivea, Johnson & Johnson e L´Oréal, entre outras.

As empresas citadas, entidades de classe da indústria cosmética, como a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec) e a própria Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) se manifestaram, desaprovando a forma como o assunto foi tratado.

Excertos do comunicado da SBD enviado aos dermatologistas (04 dezembro de 2009):

Em relação aos principais dados apresentados, a Sociedade Brasileira de Dermatologia apresenta sua posição abaixo:

Composição

– O Benzofenona-3 é permitido em concentrações de até 10%, em conformidade com o disposto na RDC 47/06 da Anvisa. O ingrediente é largamente utilizado como filtro UVA em diferentes produtos há muitos anos no Brasil. Sendo também permitido em países da União Européia e Estados Unidos.

A COLIPA (“European Cosmetic, Toiletry and Perfumary Association”), através do Comitê  Científico para Produtos de Consumo (SCCP) emitiu parecer em 2008, onde conclui que o uso da Benzofenona-3 como filtro UV em fotoprotetores não oferece riscos à saúde da população, conclusão essa baseada em estudos toxicológicos realizados.

Desta forma, a SBD entende que, à luz do conhecimento atual, não há justificativas para recomendar a proibição da Benzofenona-3 em protetores solares.

Proteção UVB (FPS) e Resistência a água

– A SBD entende que para aferir o FPS e a resistência a água deve ser utilizado o teste in vivo com voluntários humanos, seguindo normas do FDA (Food and Drug Administration) e COLIPA (“European Cosmetic, Toiletry and Perfumary Association”) que são as recomendadas pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O Pro Teste se utilizou da técnica in vitro baseada em leitura espectrofotométrica e com baixa correlação para o estudo in vivo.

Proteção UVA

– O Pro Teste realizou o teste de PPD in vitro, publicado pela COLIPA (“European Cosmetic, Toiletry and Perfumary Association”) como alternativa ao PPD in vivo. Porém, ainda não existe um consenso internacional sobre o melhor método para a avaliação da proteção UVA. Os países que compõem o MERCOSUL estão revendo os critérios e regras para o nível de proteção UVA, além das metodologias a serem empregadas. Assim, a quantificação do UVA depende da metodologia empregada.

Fotoestabilidade

A descrição do método no ofício para determinação da fotoestabilidade apresentada no estudo realizado pela PRO TESTE é bastante vaga, dificultando a interpretação dos resultados pela SBD. Como não existe ainda método referência para avaliação de fotoestabilidade, a SBD entende que, sem a melhor descrição do método, não há condições para sua avaliação.

Além disso, as empresas reiteraram que os métodos utilizados para atestar a eficácia de seus produtos seguem o que é preconizado pelas mais importantes regulações internacionais (Europa, Estados Unidos, Japão e Austrália), as quais são aceitas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e garantem a segurança e a eficácia desses produtos.

Considerações finais

Nós, dermatologistas, recomendamos que a população se proteja do sol, através do uso de chapéus, bonés, roupas adequadas e também com os filtros solares.

Dra. Érica Monteiro – Dermatologista

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Formada pela UNIFESP, com título de especialista em Dermatologia e membro da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) e da AAD (American Academy of Dermatology), a Dra Érica Monteiro escreve regularmente para o Dermatologia.
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