“Menos é mais”!

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Formada pela UNIFESP, com título de especialista em Dermatologia e membro da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) e da AAD (American Academy of Dermatology), a Dra Érica Monteiro escreve regularmente para o Dermatologia.
informações de contato da Dra. Érica Monteiro

“Se um pouco é bom, muito deve ser ainda melhor!” Isso parece ser o que se passa pela cabeça de muitos pacientes, e de consumidores, na hora de utilizar os produtos cosméticos de venda livre que prometem rejuvenescer a pele, combater a acne, clarear as manchas e outros “milagres”.

Na verdade, esse pensamento pode criar mais problemas do que melhorar o quadro clínico do paciente. Uma única formulação pode expor o paciente a 20 substâncias químicas diferentes, duas , três ou mais formulações poderão expor o paciente a mais de 100 substâncias químicas ao mesmo tempo. Os pacientes aumentam a chance de ter algum evento adverso ao produto, como: dermatite de contato irritativa, dermatite de contato alérgica, acne e erupções medicamentosas, reações fotoalérgicas, dentre outros.

Podemos ter dificuldade de chegar ao agente causal, pois pode ser por um único ativo ou pode ser devido a mistura de diferentes substâncias. O produto pode ter sido testado pelo fabricante para ser utilizado sozinho, ou seja, uma emulsão em loção ou gel formulada para ser “oil free”, adequada para peles oleosas ou acneicas, ao ser combinada com outro produto poderá tornar-se uma emulsão oleosa, espessa e com ação oclusiva. Sob oclusão, o produto pode propiciar o aparecimento de acne e erupções acneiformes; o ativo também pode ter sua capacidade de penetração aumentada, podendo causar irritação na pele. Alguns produtos podem causar reação imediata, enquanto outros podem ser usados por meses antes da pele sensibilizar e apresentar uma reação alérgica, isso pode dificultar e retardar o diagnóstico clínico.

Os “alergenos clássicos” geralmente incluem fragrâncias ou componentes preservativos. Dependendo do tipo de pele, existem ingredientes que devem ser evitados, como:

– pele sensível: evitar surfactantes, como o lauril sulfato de sódio, alfa hidróxiácidos (exemplo: ácido glicólico, ácido láctico).

– pele seca:evitar surfactantes como o lauril sulfato de sódio,

– pele oleosa e/ou acneica: evitar óleo mineral, cera de abelha, óleo de coco, óleo de jojoba, palmitatos, dentre outros.

Os dermatologistas devem orientar os consumidores para checarem os ingredientes dos cosméticos e evitarem os com ingredientes irritantes conhecidos e aconselhar os pacientes de que “menos podem ser mais” quando optarem por menos ingredientes na pele.

Dra. Érica Monteiro

Dermatologista

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Formada pela UNIFESP, com título de especialista em Dermatologia e membro da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) e da AAD (American Academy of Dermatology), a Dra Érica Monteiro escreve regularmente para o Dermatologia.
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Comentários

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1 Comentário

Manuel

Concordo plenamente com a Doutoura, por vezes nem o medicamento aclamado de “milagroso” existente no mercado ou receitado pelo Dermatologista pode resultar na nossa pele se não tivermos atenção aos maleficios com que deparamo-nos diariamente como ingredientes presentes no shampoo etc..
Obrigado Doutoura pelos seus fabulosos concelhos!
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