Sabonetes e limpadores

compartilhar:
o autor

Formada pela UNIFESP, com título de especialista em Dermatologia e membro da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) e da AAD (American Academy of Dermatology), a Dra Érica Monteiro escreve regularmente para o Dermatologia.
informações de contato da Dra. Érica Monteiro

Introdução

A limpeza da pele é necessária em termos de higiene e saúde pessoal. Durante esse processo ocorre uma interação complexa entre a superfície da pele (estrato córneo), a sujeira ambiental, as secreções do corpo e o agente surfactante. O uso de sabonetes pode ter profundo impacto no tratamento dermatológico, especialmente no tratamento de peles sensíveis ou de áreas com infecção secundária(1-4). Por isso, esse artigo aborda os diferentes tipos de sabonetes disponíveis na atualidade.

Sabonetes e limpadores

Geralmente a limpeza é realizada com o sabonete(3-8). O sabonete é obtido através da reação química entre uma gordura e uma base alcalina, resultando em um sal de ácido graxo com propriedades detergentes. Melhora no produto final inclui, por exemplo, ajustes no pH alcalino para diminuir a irritação da pele. No entanto, o sabonete moderno é basicamente uma mistura de sebo e óleo de noz ou de ácidos graxos derivados destes produtos, em uma proporção de 4:1. O aumento desta proporção resulta em um sabonete supergorduroso (“sabonete hidratante”) que deixa uma película oleosa sobre a pele.

Produtos de limpeza em barra e líquido podem ser divididos em três tipos básicos:

1. Sabonetes verdadeiros compostos de uma longa cadeia de sais alcalinos de ácidos graxos com um pH entre 9 e 10
2. Combars (barras combinadas) compostas de sabonetes alcalinos cujas superfícies foram adicionados agentes ativos, também com um pH de 9 a 10
3. Syndet ou detergente sintético, barras compostas de detergentes sintéticos que contenham menos de 10% de sabonete e que tenham um pH ajustado de 5,5-7(7,8).

O objetivo do desenvolvimento de novos detergentes sintéticos é fornecer um produto que seja menos irritante para a pele do que os sabonetes tradicionais. O pH normal da pele é ácido, entre 4,5 e 6,5. Aplicando o sabonete alcalino, teoricamente, aumenta-se o pH da pele, tornando-a seca e com sensação de “estiramento”. No entanto, a pele saudável se recupera, a irritação induzida pelo sabonete continua a ser uma área controversa.

Aditivos especiais para as formulações previamente discutidas permitem enorme variedade de sabonetes comercializados atualmente. A lanolina e a parafina podem ser adicionadas a um sabonete hidratante syndet para criar um sabonete supergorduroso (“hidratante”), enquanto que sacarose e glicerina podem ser adicionadas para criar uma barra transparente. A adição de óleo de oliva, em vez de outra forma de gordura, distingue um sabonete fino.

Sabonetes medicamentosos podem conter os antibacterianos, como peróxido de benzoíla, enxofre ou resorcinol, como triclocarban ou triclosan. O triclosan elimina tanto as bactérias gram-positivas quanto as gram-negativas. Estes sabonetes têm um pH de 9-10 e podem causar irritação na pele. Sabonetes em barra syndet hidratante contêm lauril isetionato de sódio com um pH ajustado para 5-7, utilizando-se ácido láctico ou cítrico. Estes produtos são menos irritantes para a pele e, por vezes, são rotulados como “sabonetes de beleza”.

Aditivos ao sabonete também são responsáveis pela sua aparência, sensação e cheiro característicos. O dióxido de titânio é adicionado em concentrações de até 0,3% para opacificar a barra e para aumentar a sua brancura visual. Pigmentos tais como lacas de alumínio podem colorir a barra sem produzir espuma colorida, que é considerada uma característica indesejável. Os agentes formadores de espuma, como a carboximetilcelulose de sódio e outros derivados da celulose, podem tornar a espuma cremosa. Perfume em concentrações em torno de 2% pode ser adicionado para garantir que o sabonete em barra tenha um perfume agradável até ser totalmente consumido.

Limpadores não lipídicos

Os limpadores livres de lipídio(8) são produtos líquidos que limpam, sem gorduras. Eles são aplicados à pele seca ou umedecida, esfregados para produzir espuma e enxaguado ou espera-se secar. Estes produtos podem conter água, glicerina, álcool cetílico, álcool estearílico, dodecil sulfato de sódio e (ocasionalmente) propilenoglicol.

Os limpadores não lipídicos deixam uma película fina, hidratante e podem ser utilizados de forma eficaz para remover maquiagem e sujeira facial em pessoas com pele sensível. Os limpadores não lipídicos causam menos irritação cutânea em pele fotoenvelhecida do que outros limpadores. No entanto, o propilenoglicol pode causar ardência e o lauril sulfato de sódio é um detergente.

Cremes ou loções de limpeza

Os cremes ou as loções de limpeza(8) são aplicados no rosto tanto para limpar como para hidratar. Eles são compostos de água, óleo mineral, petrolato/vaselina e ceras. O creme clássico para limpeza facial é conhecido como “cold cream” frio. Os “cold creams” combinam o efeito de um solvente lipídico, como a cera de abelha e óleo mineral, com a ação detergente do bórax. Estes produtos são populares para remover maquiagem e para proporcionar limpeza em pele seca.

Limpadores corporais ou “body washes”

Os “body washes” (8-11) são subconjunto especial de detergentes sintéticos líquidos que combinam a limpeza suave da pele com propriedades hidratantes e emolientes. Eles são aplicados com um jato que não permite o crescimento bacteriano para quebrar a emulsão, através da incorporação de quantidades generosas de ar e água. Altas quantidades de petrolato/vaselina podem ser incorporadas em emulsões “body wash” para melhorar o ressecamento e a hidratação da pele.

Ativadores de limpeza

Fricção com abrasivo particulado(9)
A esfoliação remove os corneócitos superficiais, deixando a pele mais lisa e uniforme. As fricções abrasivas incorporam esferas de polietileno, óxido de alumínio, caroços de fruta triturados ou grânulos de decaidrato de tetraborato de sódio para produzir vários graus de esfoliação.

Partículas de óxido de alumínio e caroços de fruta triturados produzem fricção mais abrasiva. Em geral, os produtos que contêm estas partículas ásperas não são adequados para pessoas com pele sensível. Esferas de polietileno, que são suaves e redondas, produzem fricção mais leve. A abrasão menos agressiva da pele é alcançada com produtos que contenham grânulos de decaidrato de tetraborato de sódio, que suavizam e se dissolvem durante o uso.
Devem ser indicados com cautela nos pacientes de pele sensível.

Esponjas
As esponjas(9) foram introduzidas na mesma época que as fricções abrasivas e também fazem esfoliação. O produto mais popular é composto de uma esponja feita de fibras de poliéster (Buf Puf). Originalmente, este produto foi projetado para remover comedões abertos, mas depois a rigidez da teia foi diminuída e a esponja impregnada com um limpador suave permite seu uso em diferentes tipos de pele.

Lenços de tecido descartável para o rosto(9)
O desejo de limpeza profunda, mas menos abrasiva, levou ao desenvolvimento do lenço descartável de limpeza. Estes lenços são compostos de uma combinação de poliéster, raiom, algodão e fibras de celulose unidas por calor através de uma técnica conhecida como termocolagem. Resistência adicional é transmitida para a esfregação por hidroentrelaçar as fibras. Este processo é alcançado pelo entrelaçamento individual do raiom, poliéster e fibras de polpa de madeira com jatos de água de alta pressão e elimina a necessidade de ligantes adesivos, criando assim um lenço macio e resistente.

Os lenços são embalados secos e impregnados com um limpador que espuma moderadamente quando o lenço é umedecido. O tipo de limpador no lenço depende da necessidade, pele seca o limpador é mais suave que o para pele oleosa. Umectantes e emolientes também podem ser adicionados ao lenço para diminuir o dano da barreira com a limpeza ou para suavizar a descamação nas peles xeróticas.

Além da composição dos ingredientes pré-aplicados ao lenço seco, a trama do lenço determina também o seu efeito cutâneo. Dois tipos de trama de fibra são utilizados em produtos faciais: aberta e fechada. Lenços de trama aberta são assim chamados por causa das janelas de 2 a 3 mm no lenço entre os feixes de fibras adjacentes. Esta trama aberta amolece o lenço e diminui a área de contacto com a pele, produzindo um efeito esfoliante suave que é apropriado para pessoas com pele seca e/ou sensível. Em contrapartida, os lenços com trama fechada são projetados com uma trama mais apertada e proporcionam esfoliação mais agressiva. Basicamente, o grau de esfoliação alcançado depende da trama do lenço, da pressão com que o lenço é utilizado sobre a superfície da pele e do tempo que o lenço é aplicado.

Sachê de tecido para limpeza
O sachê de limpeza(9) é uma variação dos lenços de fibra entretanto, também pode ser utilizado como um sistema de fornecimento dosificado para agentes de limpeza de pele e condicionamento de pele. Para criar este sachê, uma membrana plástica é colocada entre dois lenços de fibra contendo furos de vários diâmetros. O tamanho dos furos determina a rapidez com que os conteúdos do sachê são liberados na superfície da pele. Normalmente, o sachê de limpeza produz menos esfoliação do que aquela alcançada com um lenço de limpeza simples.

Escova facial automatizada
A mais nova técnica automatizada para limpeza facial é a escova de rosto(9). Trata-se de um dispositivo portátil que funciona com uma bateria recarregável ligada a um motor em miniatura que cria um movimento oscilatório da cabeça da escova. Este movimento sônico oscilatório foi desenvolvido para remover a placa bacteriana dos dentes de forma mais completa do que as escovas manuais. Uma cabeça foi desenvolvida para limpeza facial. As cerdas da escova facial são concebidas para atravessar os dermatóglifos faciais, os poros e as cicatrizes. O movimento sônico da escova também ajuda a desalojar os fragmentos faciais.

Conclusão

O uso correto dos produtos de limpeza, como sabonetes e limpadores, faz parte do regime de cuidados da pele de qualquer paciente, seja ele saudável ou portador de alguma dermatose(3). Por isso, o conhecimento desses produtos pelo dermatologista é importante para correta orientação terapêutica.

Referências: Dra. Érica Monteiro – Dermatologista

http://www.cibersaude.com.br/revistas.asp?fase=r003&id_materia=4239


o autor

Formada pela UNIFESP, com título de especialista em Dermatologia e membro da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) e da AAD (American Academy of Dermatology), a Dra Érica Monteiro escreve regularmente para o Dermatologia.
informações de contato da Dra. Érica Monteiro

Comentários

Aprovamos comentários em que o leitor expressa suas opiniões. Comentários que contenham termos vulgares e palavrões, ofensas, dados pessoais (e-mail, telefone, RG etc.) e links externos, ou que sejam ininteligíveis, serão excluídos. Erros de português não impedirão a publicação de um comentário.