Eczemas, dermatites e alergias: um novo tratamento

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Muitas pessoas queixam ter “alergia na pele”. Na verdade, essas alergias são muito frequentes e há muitos tipos diferentes delas.
A boa notícia é que quase todos os dias surgem novidades que podem ajudar quem sofre com essas lesões na pele. Por isso mesmo, é muito importante que o médico seja consultado para orientar a melhor conduta para cada caso.

Afinal, o que é eczema?
Resumidamente, o eczema é uma doença inflamatória da pele que afeta 10-15% da população de países industrializados. Há diferentes formas desta “alergia”, como por exemplo atópica e não atópica, mas os dois tipos têm uma resposta semelhante ao tratamento.

Causas e tratamentos do eczema
A causa tem muitos agentes e não completamente conhecida, mas acredita-se que ocorreria devido a uma disfunção imunológica com hiper-reatividade cutânea a antígenos ambientais ( ou seja, reação aos diversos agentes do meio ambiente). O tratamento atual do eczema leve a moderado inclui cremes umectantes/hidratantes, corticoides e inibidores da calcineurina tópicos. Já as formas moderadas a severas são tratadas com corticóides tópicos, inibidores da calcineurina tópicos, radiação ultravioleta, ou imunossupressores via sistêmica. O problema é que todas estas formas de tratamento estão associadas com efeitos adversos significativos.
Felizmente, há avanços. Nossa consultora médica, a Dra. Érica Monteiro, relata um dos mais recentes:
Recente estudo publicado pelos pesquisadores Kim Keemss, Stephanie C. Pfaff e colaboradores, mostrou que eczema leve a moderado pode ser eficazmente melhorado com exposição à luz azul sem radiação ultravioleta.
Para encontrar uma nova alternativa terapêutica, os autores investigaram o tratamento local com luz azul sem radiação ultravioleta neste grupo de pacientes. Diferentemente do tratamento com irradiação ultravioleta este tipo de terapia não se associa com foto-envelhecimento, nem com dano no DNA, nem inflamação. O único evento adverso conhecido é a hiperpigmentação (escurecimento) transitória das áreas tratadas.
O objetivo deste estudo foi avaliar a eficácia do tratamento com luz azul de 453 nm para a redução dos sintomas associados com diagnóstico de eczema e avaliar sua tolerância. Os pacientes foram recrutados entre outubro de 2013 até janeiro de 2014, no departamento de dermatologia da “Universidade de Aquisgran”, Alemanha. Foram incluídos pacientes entre 18 e 75 anos, com bom status de saúde que fossem capazes de cumprir os requerimentos do estudo com diagnóstico de eczema leve a moderado, e com pelo menos 2 lesões comparáveis. Os pacientes receberam irradiação com luz azul sem radiação ultravioleta que foram aplicados nas áreas do estudo 3 vezes por semana durante 4 semanas no departamento de dermatologia. As lesões de controle permaneceram sem tratamento. Todas as lesões foram expostas a cremes umectantes.

CONCLUSÃO
Este estudo demonstrou que a luz azul sem radiação ultravioleta foi segura e eficaz para a redução das lesões de eczema.
Os autores comentam que tanto as lesões tratadas e não tratadas melhoraram no transcurso do estudo. Uma das possíveis razões para a melhoria nas áreas de controle é o efeito psicológico. Outra razão possível foi que a utilização de creme umectante/hidratante foi obrigatória durante o estudo por todos os pacientes, alguns dos quais não a tinham utilizado previamente.

O estudo citado no texto é dos seguintes pesquisadores : Kim Keemss, Stephanie C. Pfaff e colaboradores e chama, em português: “ESTUDO PROSPECTIVO E RANDOMIZADO DA EFICÁCIA E SEGURANCA LOCAL DA LUZ AZUL SEM RADIAÇÃO ULTRAVIOLETA PARA O TRATAMENTO DO ECZEMA.” Foi publicado na revista “Dermatology” ( artigo original: Prospective, Randomized Study on the Efficacy and Safety of Local UV-Free Blue Light Treatment of Eczema. Dermatology. 2016; 232(4):496-502.).

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