MEDICINA EM CASA (parte 2): 5 passos para uso de remédios em casa

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Formada pela UNIFESP, com título de especialista em Dermatologia e membro da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) e da AAD (American Academy of Dermatology), a Dra Érica Monteiro escreve regularmente para o Dermatologia.
informações de contato da Dra. Érica Monteiro

 

medicina em casa - cosmeceuticos

A Aliança Nacional para saúde hispânica, em colaboração com o FDA dos Estados Unidos da América, organizou um “manual”, com informações para adultos, sobre o uso correto de medicamentos sem prescrição médica. No Brasil, as pessoas frequentemente utilizam tratamentos alternativos nas suas casas, como xaropes, chás e infusões de plantas, tinturas e medicamentos considerados “de venda livre”, ou seja, tratamentos sem a necessidade de prescrição médica. Por isso, solicitamos que nossa consultora médica, Dra. Érica Monteiro, continuasse com dicas e recomendações sobre seu uso. Segue a segunda parte das recomendações, com 5 dicas:

 

1- Produtos para higiene são cosméticos ou medicamentos? Quais suas principais funções?

No Brasil, os produtos para higiene corporal e facial são classificados como cosméticos. No entanto, nos últimos anos, houve grande crescimento na oferta de produtos para higiene e para cuidados com a pele. Dentre esses produtos podemos identificar uma categoria que está cada vez mais presente na rotina diária de produtos utilizados na pele dos pacientes e na própria prescrição dos médicos dermatologistas. Essa categoria é conhecida como “cosmecêutico”. O termo “cosmecêutico” resulta da junção de duas palavras: cosm(etic) + (pharma)ceutic.

De acordo com a legislação atual, se o produto tiver alguma ação biológica, ele deve ser classificado como droga (medicamento). Essa classificação em duas categorias distintas é muito semelhante no Brasil e nos Estados Unidos. Além de não existir um reconhecimento legal dessa definição, esse conceito não é mundialmente uniforme. Há produtos que são classificados como drogas em alguns países, enquanto que o mesmo produto é classificado como cosmético em outro país. Por exemplo: a tretinoína é classificada como droga nos Estados Unidos e no Brasil (no Brasil é vendido com tarja vermelha, apesar de ser é vendida livremente) e como um cosmético no México. Os xampus para dermatite seborreica são classificados como droga nos Estados Unidos e têm venda livre na Europa. No Japão, há uma terceira categoria: “quasidroga” que engloba o que consideramos “cosmecêutico”. Por exemplo: hidratantes com glicerina são considerados “quasidrogas” no Japão, pois, apesar da glicerina ter um profundo impacto ao ser aplicada na pele, ela não é considerada um medicamento. O termo cosmecêutico têm inúmeras variações semânticas como: dermatocosmético, cosmético funcional, dentre outros. Há, também, o termo nutracêutico que engloba os suplementos vitamínicos que teriam ação antioxidante ou de rejuvenescimento e que tratariam a pele “de dentro para fora” .

 

2- Quais as principais funções dos “cosmecêuticos” e dos produtos para higiene e saúde?

Apesar do termo cosmecêutico ser muito popular, e consagrado pelo uso, não encontra amparo legal. O termo “cosmecêutico” surgiu em 1961, por Raymond Reed. Popularizou-se, no fim dos anos 1970, por Albert M. Klingman. O termo “cosmecêutico” resulta da junção de duas palavras: cosm(etic) + (pharma)ceutic. A palavra cosmético deriva da palavra grega kosmetikós, que significa “hábil em adornar”.

Assim, a terminologia cosmecêutica faz alusão a produto que “age” mais na pele que um cosmético, mas tem efeito menor que o de um medicamento.

Seguem exemplos de produtos para higiene e para cuidados com a pele:

 

Tipo de produtoFunções
Antiperspirante Diminui a produção de suor pela glândulas sudoríparas.
Desodorante Somente camufla o odor do suor.
Enxágue bucal para combater a placa bacteriana e as gengivitesContem ativos que reduzem a placa bacteriana e as enfermidades da gengiva.
Enxágue bucal comumAjuda a ter o hálito fresco.
Xampu anti caspaAuxilia no tratamento da caspa e da coceira.
Xampu comumSomente limpa o cabelo.
Creme dental com fluorAuxilia na redução das cáries.
Creme dental sem fluorSomente limpa os dentes.

 

3- Suplementos alimentares são medicamentos?

Os suplementos alimentares são gêneros alimentícios que se destinam a complementar e/ou suplementar o regime alimentar normal e que constituem fontes concentradas de determinadas substâncias, nutrientes ou outros elementos com efeito nutricional ou fisiológico, isoladas ou combinadas, comercializadas em forma dosada, como cápsulas, pastilhas, comprimidos, pílulas, pó, ampolas de líquido, dentre outras.

Estes suplementos podem conter substâncias nutrientes e outros ingredientes como vitaminas, minerais, aminoácidos, ácidos graxos essenciais, fibras, várias plantas e extratos de ervas.

 

4- Os suplementos alimentares substituem as refeições?

O Guia Alimentar da População Brasileira, publicado pelo Ministério da Saúde, traz as orientações para a adoção de hábitos alimentares capazes de trazer benefícios para saúde. Não há qualquer orientação para a ingestão de suplementos ou alimentos funcionais. Pelo contrário, as recomendações destacam a importância do resgate aos hábitos alimentares tradicionais.

No entanto, o envelhecimento da população e a longevidade demandam desejo de envelhecimento com qualidade de vida. Além disso, a sociedade midiática tornou realidade a preocupação com a “aparência” e a procura do “corpo perfeito”. Esta tendência mundial levou ao aumento do consumo desses produtos e a sua popularidade.

 

5- Os suplementos alimentares podem ter efeitos colaterais?

Sim. Os suplementos alimentares podem causar eventos adversos se não consumidos de acordo com as recomendações da rotulagem.

 

Confira também a primeira parte deste artigo.

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Formada pela UNIFESP, com título de especialista em Dermatologia e membro da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) e da AAD (American Academy of Dermatology), a Dra Érica Monteiro escreve regularmente para o Dermatologia.
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